Com brasileiro à frente, OEI quer colocar em prática programas em escolas
Com brasileiro à frente, OEI quer colocar em prática programas em escolas
Foto: Ángel De Antonio

Com brasileiro à frente, OEI quer colocar em prática programas em escolas

OEI. 13/10/2016
Tamanho do texto+-

Promover programas que tenham efeitos práticos na luta contra a zika e para levar eletricidade e internet a milhares de escolas são alguns dos objetivos imediatos da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), que tem o ex-reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Paulo Speller, como secretário-geral.

Criada em 1949, a OEI é uma entidade que integra, além do Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, República Dominicana, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Guiné Equatorial, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela e que quer aumentar sua visibilidade social e expandir seus planos no quesito aplicabilidade.

Em entrevista à Agência Efe em Madri, onde a OEI tem sua sede, Speller, que assumiu o posto no início de 2015 e se tornou o primeiro brasileiro a ocupar este cargo, contou que depois de ser empossado visitou todos os países latino-americanos - são 17 escritórios - e ficou surpreso com o impacto de seus programas e políticas.

Nos próximos meses, começará um programa piloto sobre como combater o vírus da zika, e mosquitos transmissores de doenças em geral, que contará com pesquisas feitas diferentes centros para ter resultados concretos.

"Isso tem aplicabilidade imediata, não é algo abstrato", ressaltou Speller, para quem uma característica da Organização é a troca de informação e as boas práticas.

O secretário-geral contou que um programa clássico é "Luzes para aprender", promovido há quase dez anos pela organização e que tem como objetivo levar energia elétrica as escolas da América Latina e do Caribe.

"Detectamos que são quase 70 mil escolas sem energia elétrica", revelou ele, para quem o sucesso deste programa não significa apenas que os alunos possam ter acesso à internet, com "materiais e recursos imprescindíveis", mas também criar lugares que se consolidem como espaços comunitários" para os moradores.

Outro importante programa é o de alfabetização, tanto de crianças quanto de adultos, e que segundo Speller é uma demanda de todos os países. Em 2010, após anos de debates, foram aprovadas as chamadas Metas 2021, objetivos claros para que os países avancem em indicadores educacionais, como o desenvolvimento do ensino médio, técnico-profissional e do ensino superior.

"É preciso acelerar na consolidação, porque a distância entre norte e sul é muito grande, mas estamos avançando. O norte não está parado", destacou o acadêmico.

Para todas estas iniciativas, a OEI conta com incentivos públicos e de empresas privadas, principalmente bancos e companhias ligadas a serviços e energia. A ideia é buscar fundos onde for factível, porque embora a OEI seja intergovernamental, ela se relaciona com toda a sociedade civil, segundo Speller.

Para a Cúpula Ibero-Americana de Cartagena de Indias, que acontecerá nos dias 28 e 29 deste mês, a OEI levará as conclusões das reuniões de ministros de seus três setores-base - educação, ciência e cultura - realizadas neste ano. Um dos compromissos é assumir projetos específicos para formar os desmobilizados da guerrilha das Farc após o acordo de paz na Colômbia. De acordo com ele, o "não" ao acordo no recente referendo não anula o programa, que "continua", com a intenção de beneficiar a populações das zonas de conflito e os guerrilheiros.

"Estamos convencidos de que a paz será alcançada na Colômbia", declarou.

Embora integrante do espaço ibero-americano, a OEI busca sua própria visibilidade, especialmente perante a maior presença da Secretária Geral Ibero-americana (Segib), organizadora das cúpulas de chefes de Estado.

"Cada organização tem seu papel e sua missão. A Segib é mais política, a OEI é mais operacional, mas temos um trabalho integrado", garantiu.

Fonte: terra.com.br