Debate sobre educação ambiental na gestão de recursos hídricos encerra programação do Planeta ODS
Debate sobre educação ambiental na gestão de recursos hídricos encerra programação do Planeta ODS

Debate sobre educação ambiental na gestão de recursos hídricos encerra programação do Planeta ODS

OEI. 23/03/2018
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O Programa de Educação Ambiental da Itaipu Binacional foi o destaque da mesa de debate “Educação ambiental na gestão de recursos hídricos”, que encerrou o Planeta ODS, evento com programação transversal ao 8º Fórum Mundial da Água, nesta sexta-feira (23/03), em Brasília. Também foram apresentados os projetos “Bacias vivas”, do grupo Asas, que tem o apoio da UNESCO e da OEI Brasil, e "O sentimento de pertença nas crianças da educação infantil em relação à água em espaços educativos”, da Universidade do Estado do Amazonas.

Leila Alberton, gerente da Divisão de Educação Ambiental da Itaipu Binacional, abriu a apresentação explicando como a Itaipu Binacional desenvolve ações socioambientais no território da Bacia do Paraná 3, por meio de metodologias participativas e processos de sensibilização, buscando promover a qualificação de pessoas e instituições para a gestão e a segurança hídrica. 


“A Itaipu tem 20 programas, e a educação ambiental é o eixo condutor de todos eles”, ressaltou a gerente. “Estamos na agricultura familiar, na gestão de resíduos, na gestão de bacias hidrográficas, nos programas de plantas medicinais, nos coletivos jovens… Temos o papel de conversar com todos esses programas e construir estratégias, metodologias, para ter uma região mais preparada e sensibilizada para as mudanças.”

Até o final de 2017, a área de atuação correspondia a 29 municípios (aproximadamente 1 milhão de habitantes). Em 2018, será expandida para 54 municípios. Nessas cidades, o programa atua tanto na rede formal de ensino como na informal, buscando trazer para o diálogo não apenas professores e alunos, mas também catadores de lixo, agricultores,  donas de casa, etc.


Coletivo educador

“Ao longo do tempo, buscando estratégias para enraizar e multiplicar a proposta, nos unimos às gestões públicas e a outras instituições, incluindo universidades e ONGs, e constituímos um grande coletivo educador”, contou Leila. Esse grande coletivo atualmente é formado por representantes das 29 prefeituras e 11 instituições, e também se desdobra em coletivos educadores municipais. “É um coletivo dinâmico, com arquiteto, médico, enfermeira, educador, técnico agrícola, administrador…É uma rede, a nossa estrutura de governança. Todas as ações e decisões são construídas e validadas por este grupo.”

Foi este coletivo maior quem definiu os três pilares que norteiam as ações trabalhadas na rede formal de ensino: água boa, gente saudável e agroecologia. Partindo desses pilares, trabalha-se com os professores, por exemplo, a questão da pedagogia, de uma produção mais sustentável, de hortas orgânicas familiares. Também são público-alvo das ações as merendeiras, o pessoal dos serviços gerais, a comunidade escolar como um todo. “Atuamos numa formação profunda, sempre pensando em rede. Afinal, como querer a mudança se a gente não atua com todos os atores daquele território?”


Bacias vivas

Além de vários dos 42 representantes do Programa de Educação Ambiental da Itaipu  Binacional que vieram a Brasília para o 8º Fórum Mundial da Água (entre eles, educadores ambientais, agricultores e catadores de material reciclável), o debate desta sexta-feira contou com a presença de Marcus Ferreira, diretor-presidente do Grupo Asas, organização que há 32 anos busca servir à causa socioambiental por meio de projetos de cultura, educação e meio ambiente.

Ferreira destacou o projeto “Bacias vivas”, a ser implantado na Bacia do Prata, envolvendo quatro países. Trata-se de uma iniciativa de mobilização e de educação socioambiental com foco em comunidades escolares e suas famílias para a realização de ações a favor das águas. Inspirado em games e redes sociais, o projeto conta com um clube virtual (www.baciasvivas.com.br, em teste) para dar visibilidade a boas iniciativas, sugerindo atividades para quatro perfis: escolas, educadores, alunos e voluntários. 

“Bacias vivas tem estrutura simples, mas trabalha com o que há de mais moderno na tecnologia, que são os jogos e a rede social, para dar uma dimensão maior às iniciativas feitas nos territórios, compartilhar informações, experiências, desafios vencidos”, comentou Ferreira. “A ideia é que este grande banco de iniciativas possa impactar os decisores. Há um foco claro na ação política, para chamar a atenção do vereador, do deputado, do senador. Nosso olhar é para o território, para o município, e a partir dele reverberar esse conhecimento, compartilhar.”


Pertencimento

Ao final da sessão, a bióloga Priscila Eduarda Dessimoni Morhy, pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas, apresentou o projeto "O sentimento de pertença nas crianças da educação infantil em relação a água em espaços educativos”, desenvolvido com 50 crianças de uma escola municipal em Manaus, como mestrado acadêmico em Educação em Ciências na Amazônia.

O estudo, segundo Priscila, surgiu da observação de que professores e educadores ambientais trabalhavam muito as práticas, mas não o subjetivo - ou seja, os sentimentos, as emoções em relação ao elemento água. A pesquisadora usou como ponto de partida a seguinte pergunta: “Em que medida nós, professores e educadores, conseguimos aflorar nessas crianças o pertencimento ambiental?” 

“Temos que ter a visão de que criança é cientista, não precisa de resposta pronta e acabada. Durante a pesquisa, elas próprias iam construindo seu conhecimento, nas rodas de conversa,  nos espaços não formais de ensino”, comentou Priscila. “Para nós, adultos, esse sentimento de pertencimento é fragmentado. Quantos de nós vivenciamos uma relação com a natureza?  (...) O indivíduo que se sente pertencente à natureza, ele cuida, ele protege, tem gratidão, tem respeito, tem vínculo de afetividade com a natureza.”


Planeta ODS

Realizado no Planetário de Brasília entre os dias 19 e 23 de março, o Planeta ODS promoveu 15 mesas de debate com a participação de representantes de governos, sociedade civil e setor privado. O espaço fazia referência aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o ODS 6 – Água potável e saneamento, tendo como base os eixos da Agenda 2030 (paz, pessoas, planeta, prosperidade e parcerias).

O Planeta ODS foi realizado por meio de uma parceria entre a Secretaria de Governo da Presidência da República, o Governo de Brasília, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Centro Rio+. A OEI colaborou com a organização de duas mesas de debate: “Educação ambiental na Gestão de recursos hídricos” e “Água e governança”.