Engenharia e Sociedade Digital: OEI impulsa a criação de uma cátedra ibero-americana
Engenharia e Sociedade Digital: OEI impulsa a criação de uma cátedra ibero-americana

Engenharia e Sociedade Digital: OEI impulsa a criação de uma cátedra ibero-americana

OEI. 29/03/2018
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Pela primeira vez, engenheiros, filósofos, sociólogos e economistas da Ibero-América se encontrarão na Espanha com um objetivo comum: criar uma cátedra ibero-americana que aborde os principais desafios da sociedade digital. As quatro linhas de trabalho são:

. Formação de engenheiros para que o trabalho tenha impacto social, superando assim o  efeito túnel da ultra-especialização científico-tecnológica sem rastro de humanidades.

. Ensino de técnicos da indústria 4.0.

. Alfabetização digital das pessoas acima de 60 anos para que não sejam excluídas socialmente.

. Atenção às crianças para conseguir cidadãos digitais completos.

Impulsado pela Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), o I Fórum Engenharia e Sociedade Digital será realizado em Avilés e Oviedo, na Espanha, de 23 a 25 de abril. O evento conta com a colaboração da Universidad de Oviedo, do Ayuntamiento de Avilés e da Consejería de Economía y Conocimiento de Andalucía.

Segundo Juan Carlos Toscano, responsável pela área de Ciência da OEI, as pessoas da terceira idade estão encontrando um mundo novo em que são analfabetos e necessitam de um guia (normalmente, uma filha ou filho) para pagar com cartão ou pedir uma consulta médica pela internet. O desafio, no entanto, vai além: “Qualquer avô ou avó soube ensinar seus netos a cruzar a rua. Neste mundo digitalizado, nem os avós nem os pais podem ensinar as crianças. Porque é verdade que as chamam nativos digitais, mas na verdade as crianças são órfãos digitais. Calcula-se que utilizam apenas 5% das possibilidades que as tecnologias oferecem e só o fazem para brincar”, comenta Toscano.

O fórum ibero-americano também abordará a indústria 4.0, em que se produz uma próspera demanda de técnicos especialistas — por exemplo, na internet das coisas —, mas que os sistemas de formação profissional não estão sabendo atender porque demoram uns seis ou sete anos para aprovar um título ou um módulo. A União Europeia calcula que apenas a Espanha necessitará de 80 mil profissionais de TIC (tecnologias de informação e comunicação) em 2020. O Fórum de Davos já advertiu que 65% das crianças de hoje trabalharão em profissões que ainda não existem ou estão apenas começando a surgir.

A engenharia tem desempenhado um papel de destaque na construção das sociedades ibero-americanas, com bons e maus exemplos. Como explica José Antonio López Cerezo, coordenador da cátedra, "um caso emblemático na América Latina é a Villa Miseria 31, onde a zona mais pobre de Buenos Aires está a 200 metros da zona mais cara da cidade. Em muito pouco tempo caminhando, se é que se pode caminhar, porque as zonas estão assepticamente separadas por uma estrada e pelas vias do trem. Ou seja, muitas vezes as tecnologias não só servem para fazer nossa vida mais simples, e sim também para fazer política e para fazer cidade e para construir às vezes brechas entre as classes sociais". Toscano acrescenta: “Uma outra amostra de como segrega-se desde o urbanismo é a imagem icônica das favelas e dos morros que rodeiam cidades como Rio de Janeiro e Caracas. A zona mais plana, mais urbanizável, está ocupada por edifícios para ricos”.

Judith Sutz, engenheira uruguaia e uma das maiores expoentes ibero-americanas da inovação no Sul (e que também estará presente no fórum), destaca a brecha de gênero na ciência... e no mundo acadêmico em geral: "Na região ibero-americana, as mulheres estão mais formadas que os homens até chegar ao doutorado. Em um mundo acadêmico cujo sistema de avaliação é claramente anti-mulher (se para “chegar” há que seguir tensionando a dicotomia mãe-acadêmica), as mulheres vão continuar ficando atrás e não é de se esperar mudanças em boa direção".

Confira o programa do fórum: https://bit.ly/2EeUCRD


A inscrição é gratuita (link). Também haverá transmissão via streaming pelo canal de Youtube da OEI ou nas redes sociais com a hashtag #SociedadDigitalIB.