Escritório da OEI em Lisboa será ponte do triângulo Europa-África-América
Escritório da OEI em Lisboa será ponte do triângulo Europa-África-América

Escritório da OEI em Lisboa será ponte do triângulo Europa-África-América

OEI. 05/01/2018
Tamanho do texto+-

Membro da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) desde 2002, Portugal tem um papel importante na triangulação entre a Europa, a África e a América Latina. E é com a missão de fazer a ponte entre esses países que surge o escritório da OEI em Lisboa, inaugurado oficialmente na tarde desta sexta-feira (05/01) com uma cerimônia no Teatro Thalia.


A mesa de abertura da solenidade foi composta pelo ministro de Educação de Portugal, Tiago Brandão Rodrigues, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, o secretário-geral da OEI, Paulo Speller, e a diretora da OEI Portugal, Ana Paula Laborinho. Na plateia, estavam presentes secretários de Estado, membros do corpo diplomático, reitores de universidades, entre outras autoridades.


O ministro Tiago Brandão Rodrigues abriu a cerimônia falando do momento “particularmente saboroso” de realização de anseios antigos e da “sede de futuro partilhado” que molda os novos projetos a serem assumidos pela representação da OEI em Portugal -- “projetos que necessariamente cruzarão a partilha da informação, das boas práticas, da monitorização, nos domínios das políticas educativas, científicas e culturais dos Estados ibero-americanos”.


Além de comentar o papel de liderança que o país terá no Observatório Ibero-americano de Educação -- que começará em Madri, mas terá como líderes Portugal e Argentina --, o ministro da Educação ressaltou que se trata do único país no mundo a fazer a intersecção da União Europeia com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o Espaço Ibero-americano. “Portugal tem um papel insubstituível como ativador das partilhas entre esses três universos, distintos na geografia física, mas interdependentes na geografia humana”, afirmou.



O ministro da Educação de Portugal, Tiago Brandão Rodrigues, abriu a cerimônia no Teatro Thalia


Exemplo de boas práticas

A importância dessa “triangulação única” que engloba a América Latina, a Península Ibérica (Espanha, Portugal e Andorra) e a África também foi destacada pelo secretário-geral da OEI, Paulo Speller. “Neste trabalho que buscamos, o (Oceano) Atlântico, mais do que separar, nos une a todos”, observou, agradecendo o empenho dos ministros portugueses ao longo do processo de implementação do escritório em Lisboa. 


Speller também comentou o que vem sendo feito pela organização no sentido de aproximar a comunidade ibero-americana e os países da CPLP (“A Guiné Equatorial já está presente como membro efetivo, os demais países do continente africano e o Timor Leste são membros observadores”), e ressaltou que a presença de Portugal é emblemática não só por isso, mas também pelos ensinamentos que tem a trazer ao conjunto dos países ibero-americanos. 


“Portugal tem se destacado e servido de exemplo em vários campos, entre eles o da educação. É um país que avança de forma sustentável, sistemática, e ao longo dos anos vem mostrando sua capacidade de articulação em iniciativas que unem o governo central, os governos locais e a sociedade civil. As práticas exitosas levadas a cabo no país vão servir de base para o observatório e as iniciativas que queremos levar aos nossos países”, comentou o secretário.



Principais objetivos


Em seguida, a diretora da OEI Portugal, Ana Paula Laborinho, agradeceu à equipe e aos outros 17 escritórios da organização pelo trabalho colaborativo, e lembrou que os objetivos do escritório de Lisboa foram traçados em três grandes vetores: 1) a integração de Portugal na comunidade ibero-americana, valorizando as boas experiências nos campos da educação, da ciência e da cultura; 2) a contribuição para a Cooperação Sur-Sur, tendo como eixo estratégico a  cooperação com os países da CPLP; e 3) a valorização da proximidade linguística e cultural, reforçando a estratégia do bilinguismo espanhol e português, “útil para os negócios e para o crescimento conjunto dos indicadores de ciência e para a inovação”.


Além de um “impulso mais forte” para o Prêmio Ibero-americano de Educação em Direitos Humanos Óscar Arnulfo Romero, que terá sua terceira edição este ano, a diretora anunciou o lançamento de um concurso de bolsas para licenciados na área da comunicação, uma parceria com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. “A colaboração entre instituições de ensino superior e centros  de investigação são caminhos de cooperação que a OEI quer explorar cada vez mais”, adiantou. “Como sublinha nosso secretário-geral, não se trata de distribuição de riqueza, e sim de partilha do conhecimento.”