Estratégias de combate à desertificação geram ações transformadoras da realidade local no cerrado e no semiárido
Estratégias de combate à desertificação geram ações transformadoras da realidade local no cerrado e no semiárido

Estratégias de combate à desertificação geram ações transformadoras da realidade local no cerrado e no semiárido

OEI. 23/03/2018
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Ações ambientais de pequeno porte e baixo custo, envolvendo sobretudo a mão de obra local, podem trazer grandes resultados no combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca no Nordeste do Brasil. É o que mostra o  "Projeto URAD - Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas e Redução de Vulnerabilidade Climática na Região Semiárida Brasileira", apresentado na tarde desta quinta-feira (22/03) no Auditório da Expo, montado para o 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília. 

Adotado pela Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA) como estratégia da Política Nacional de Combate à Desertificação, o Projeto URAD é implementado por meio de ações sociais, ambientais e produtivas em microbacias hidrográficas, inseridas no planejamento municipal. 

“Trabalhamos junto com as prefeituras e comunidades locais para transformar o projeto numa estratégia de política pública”, destacou Cláudio Santos, analista ambiental do MMA. “A participação comunitária é um componente muito importante. Até porque é necessário que a comunidade se envolva, se engaje, para que desse projeto venham demandas municipais, estaduais, e até nacional, para que se construa uma política fortalecida e aprovada pela população local.”


Ações simples

As ações ambientais do Projeto URAD são de amplo conhecimento da população, como os cordões de pedra, terraceamentos e barragens sucessivas, e vêm sempre acompanhadas de ações sociais e produtivas para melhorar a qualidade de vida da população. As ações sociais buscam a segurança hídrica das comunidades com a construção de cisternas, a perfuração de poços, a dessalinização da água, a instalação de fogões ecológicos. Já as produtivas vão desde apicultura e caprinocultura até artesanato e bordados, de acordo com a demanda e o perfil da comunidade.

O projeto tem duração de nove meses e prevê um módulo de capacitação em diversas atividades produtivas. “O MMA leva as ações ambientais. As sociais e produtivas dependem da capacidade local e da aptidão daquela população. Isso é identificado durante a execução do projeto, e visa aumentar a renda da população, além de garantir um ambiente mais protegido”, comentou Santos. 

Sistema integrado

Uma das possibilidades é a implementação do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta, que recupera áreas degradadas e permite geração de renda.  O sistema é adaptado para a região Nordeste (onde pode-se ver, por exemplo, a cultura da palma no meio de plantas nativas da caatinga), de acordo com as condições ambientais. “A redução da vulnerabilidade climática é um dos objetivos principais”, ressaltou o analista ambiental do MMA. “Com essas ações simples, o projeto busca criar uma capacidade adaptativa ao meio ambiente, para reduzir a vulnerabilidade”.

Cada unidade tem orçamento estimado em R$ 27 mil e abrange até 30 famílias inseridas numa microbacia. Nesta primeira etapa do projeto, o investimento é de R$ 5 milhões. Atualmente, a iniciativa é desenvolvida em dois municípios de Sergipe: Poço Redondo e Canindé do São Francisco. Há editais abertos para implementá-la no Maranhão (Chapadinha), Piauí (Santo Antônio de Lisboa), Ceará (Jaguaribara), Bahia (Sento Sé) e Pernambuco (Carnaiba).

A Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e Cultura (OEI) é uma das instituições parceiras do Projeto URAD. Também são parceiros o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), governos estaduais, prefeituras municipais e a sociedade civil.

  

Ações no cerrado

Terminada a palestra de Cláudio Santos, a sessão "Questões Ambientais do Cerrado e do Semiárido" seguiu no Auditório da Expo com a apresentação de algumas ações de combate à desertificação e recuperação de microbacias promovidas pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal. A apresentação ficou a cargo do engenheiro florestal Mac Leonardo Souto, diretor de Políticas da Área de Desenvolvimento Rural. 

Souto destacou o Plano de Manejo e Conservação da Água e do Solo em Áreas de Produção Rural no Distrito Federal, que tem a bacia hidrográfica como base de planejamento, com foco na adequação ambiental da infraestrutura e da produção rural. “A partir do diagnóstico da bacia é construído o plano como um todo, visando a melhora da qualidade de vida da população bem como a promoção daquele local, seja pela reabilitação ambiental, seja evitando sua degradação”, explicou.

Entre as ações previstas pelo plano estão a reutilização de cisternas, reservatórios impermeabilizados, uso eficiente da água por meio da irrigação localizada, monitoramento e tratamento de dejetos de animais, e ações mecânicas relacionadas ao solo, como o terraceamento, as bacias de retenção de água e a adequação de estradas.

“Fazer com que o produtor rural seja participante, se sinta presente nas ações do Plano de Manejo, é fundamental para que continuemos a promover a reabilitação e a recuperação desses locais”, observou o diretor. “Por meio do diagnóstico da comunidade pode-se traçar o melhor plano para aquela bacia.”