Lançamento do Programa de Ampliação da Área de Abrangência do Mulheres Inspiradoras
Lançamento do Programa de Ampliação da Área de Abrangência do Mulheres Inspiradoras
Foto: Vladimir Luz, Ascom/SEEDF

Lançamento do Programa de Ampliação da Área de Abrangência do Mulheres Inspiradoras

OEI. 16/05/2017
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Fonte: Ascom/SEEDF

O projeto que leva debate sobre gênero às escolas públicas do Distrito Federal acaba de ganhar um reforço de peso. A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) promoveu o lançamento do Programa de Ampliação da Área de Abrangência do Mulheres Inspiradoras. A partir dele, 30 professores da rede pública de ensino vão receber curso de formação sobre a temática para replicar os conhecimentos com seus alunos. O objetivo é qualificar os profissionais para discutir, em sala de aula, conceitos de equidade, de representação feminina na mídia e de combate à violência contra a mulher. A solenidade aconteceu na tarde dessa segunda-feira (15), no auditório do Centro de Ensino Especial 02, da Asa Sul.

Para essa nova etapa participam 15 escolas, sendo que cada unidade conta com dois professores para tomar a frente das atividades pedagógicas. Para tanto, os professores devem trabalhar o conteúdo aprendido ao longo de oito encontros, no curso de formação do Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação (Eape). A idealizadora do projeto, Gina Vieira, explica que a pretensão é realizar uma formação diferenciada que permita aos professores trabalhar com metodologias mais ativas. “Queremos fazer de um jeito que convide o aluno a uma participação maior”, explica a professora.

Os docentes vão ter como apoio instrumentos didáticos criados especificamente para o projeto, como leitura e produção, a partir de temáticas como valorização da mulher, equidade de gênero, combate ao machismo e protagonismo dos alunos. Além disso, um dos pilares do projeto é o trabalho acerca da biografia de mulheres que marcaram a história, como Cora Coralina, Anne Frank, Malala e Maria da Penha. “O que queremos mostrar aqui é que a mulher, quando tem oportunidade de ocupar espaço de poder, ela provoca tantas transformações”, completou a professora.

A professora de inglês do Centro Interescolar de Línguas da Ceilândia (CILC) Marilda Franco faz parte do grupo de 30 professores. Ela conta que não é a primeira vez que entra em contato com a temática e que, apesar da delicadeza do tema, essa é uma oportunidade de construir com seus alunos a sociedade que se almeja para o futuro. “Se você educa uma criança agora, não teremos violência contra a mulher mais para frente. Sem esteriótipos e sem chocar, é possível trabalhar de forma efetiva o tema com nossos alunos”, pondera ela.

O secretário de Educação, Júlio Gregório Filho, disse que iniciativas como o Mulheres Inspiradoras tem sucesso justamente pelo fato de ser percebido e criado dentro do ambiente escolar por quem atua nele diretamente. “Existem projetos que surgem do ambiente acadêmico e tentam ser colocados em prática nas escolas, mas acabam não funcionando por não se encaixar na realidade daquela comunidade escolar. Por isso, tão importante o surgimento desses projetos por quem conhece a realidade daquele local”, enfatizou.

Participaram ainda da solenidade a primeira-dama e colaboradora do Governo de Brasília, Márcia Rollemberg, a diretora do escritório da Organização de Estados Ibero-Americanos, Adriana Weska, e o diretor do Banco de Desenvolvimento da América Latina, Victor Rico.

Mulheres Inspiradoras

O Mulheres Inspiradoras foi idealizado no Centro de Ensino Fundamental 12 de Ceilândia, e envolveu a participação de 480 alunos. O projeto foca na leitura de obras sobre mulheres renomadas, como “Eu sou Malala”, “O Diário de Anne Frank” e “Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada”, este último de Carolina Maria de Jesus, que mostram exemplos de mulheres fortes, de diferentes classes sociais, cor da pele, nível de alfabetização e nacionalidade. Em seguida, os estudantes pesquisavam sobre a biografia de 10 mulheres que fizeram importantes contribuições à humanidade na defesa dos direitos humanos, como Anne Frank e Maria da Penha, por exemplo.

Como resultado, Gina recebeu várias premiações, entre as quais o 4º Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos da Presidência da República (2014); o 8º Prêmio Professoras do Brasil, do Ministério da Educação (2014); e o 1º Prêmio Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos da OEI (2015). As honrarias renderam mais de R$ 100 mil, investidos na unidade de ensino de Ceilândia.

A ampliação da iniciativa se tornou possível graças ao acordo de cooperação internacional assinado em 6 de fevereiro entre o governo de Brasília e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), que investirá U$ 20 mil no programa. A Organização de Estados Ibero-Americanos entrou como parceira para gerir os recursos.