Primeira edição do Projeto Mulheres Inspiradoras é encerrada com cerimônia no Palácio do Buriti
Primeira edição do Projeto Mulheres Inspiradoras é encerrada com cerimônia no Palácio do Buriti

Primeira edição do Projeto Mulheres Inspiradoras é encerrada com cerimônia no Palácio do Buriti

OEI. 08/12/2017
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“Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: ‘Me ajuda a olhar!’.” (Eduardo Galeano em “O Livro dos Abraços”)


Quando leu essa história, há uns 20 anos, a professora Gina Vieira Ponte de Albuquerque, além de experimentar o misto de angústia, encantamento e contemplação que tomou aquela criança, pôde perceber o quanto era necessária a presença daquele pai como mediador e apoiador no processo de elaboração de tanta beleza. Não à toa, foi essa narrativa que lhe veio à mente na cerimônia de encerramento do Programa de Ampliação da Área de Abrangência do Projeto Mulheres Inspiradoras, realizada nesta quinta-feira (07/12) no Palácio do Buriti, em Brasília.

“Depois de 27 anos em sala de aula, a vida de repente me fez este convite, que me pareceu grande demais, desafiador demais, imenso como aquele mar que se apresentou diante do menino Diego. Como ele, precisei dizer a muitas pessoas: ‘me ajudem a ver o mar’”, contou a professora, idealizadora do projeto, que começou em 2015 em uma escola de Ceilândia e este ano chegou a 17 escolas da rede pública do Distrito Federal. O programa de ampliação se deu graças ao acordo de cooperação firmado em fevereiro pelo Governo de Brasília, a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e a Corporação Andina de Fomento (CAF). 

Como disse no dia do lançamento, “o projeto é sobre o fortalecimento da identidade das meninas, é sobre educar os meninos para outras masculinidades que não sejam tóxicas, mas é antes de tudo um projeto de ressignificação do espaço escolar, de fortalecimento da escola pública. É um projeto sobre a vida, sobre quem somos, e também sobre o desejo de uma menina que aos 8 anos de idade, ao ser acolhida por uma grande professora, acreditou que se também fosse professora poderia ajudar a construir um mundo com mais beleza”. 

Gina Vieira lembrou que foram muitas as tratativas e ações até que o programa fosse colocado de pé. “Não começamos do zero, já havíamos executado o projeto por dois anos seguidos. Mas ali o desafio era outro: tratava-se de um programa piloto em que tudo deveria ser redimensionado e que o caminho se faria no caminhar. E aqui estamos. Em seis meses de trabalho, chegamos a 17 escolas, engajamos 45 professores na formação, alcançamos mais de 3 mil estudantes, distribuímos 1.526 livros, ministramos 56 palestras e oficinas”, enumerou a professora, destacando também os vários depoimentos inspiradores de professoras e estudantes que participaram dessa iniciativa e agradecendo a todos que “a ajudaram a olhar o mar”. “O projeto existe por mim e por vocês, pela menina e pelo menino que ainda habita cada um de nós.”