Projeto estimula equidade de gênero na rede pública de ensino
Projeto estimula equidade de gênero na rede pública de ensino

Projeto estimula equidade de gênero na rede pública de ensino

OEI. 07/02/2017
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O Secretário Geral da OEI, Paulo Speller, assinou, nesta segunda-feira (06/02/2017), o acordo de cooperação internacional com o Governo do Distrito Federal e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) para ampliação do projeto Mulheres Inspiradoras, em solenidade no Palácio do Buriti. A CAF investirá a fundos não reembolsáveis US$ 20 mil a serem executados pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI).


diretor-representante do Banco de Desenvolvimento da América Latina, Victor Rico; o secretário-geral da Organização de Estados Ibero-americanos, Paulo Speller; e o governador Rodrigo Rollemberg. Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília.

Com o montante, 15 escolas em sete regiões administrativas poderão participar da iniciativa, que oferece aos alunos da rede pública de ensino reflexões sobre equidade de gênero, representação feminina na mídia e violência contra a mulher.

O projeto será ampliado por meio da capacitação de 30 professores, que atuarão em sete regiões mapeadas pelo programa Viva Brasília consideradas de vulnerabilidade social ou de alta criminalidade. A expectativa é beneficiar cerca de 1,55 mil alunos de escolas públicas das regiões de Ceilândia, da Estrutural, de Planaltina, do Plano Piloto, de Samambaia, de Santa Maria e de Taguatinga.

Segundo a professora Gina Vieira, de 45 anos, criadora do programa, o investimento é importante, embora modesto. “Muitas escolas contam com um orçamento limitado, e projetos como esse não são tratados como prioridade”, conta.

Para o Governador do Distrito Federal, a ação tem potencial para produzir mudanças. “É muito interessante como o papel de um educador é transformador na vida das pessoas e na sociedade”, observou ele, na cerimônia. “Em pleno século XXI, ainda sofremos muito com a violência de gênero e com a subestimação do papel da mulher.”

Também presente à solenidade, a colaboradora do governo Márcia Rollemberg chamou os homens a participar dessa mudança. “Eles têm papel importantíssimo nisso. Principalmente aqueles que estão verdadeiramente ao nosso lado”, disse.

Apoio internacional ao projeto Mulheres Inspiradoras

Em evento do programa Brasília Cidade Internacional, a oportunidade de ampliação do Mulheres Inspiradoras se tornou possível. A Assessoria Internacional do governo atua para que projetos dessa dimensão tenham visibilidade.

O diretor do CAF no Brasil, Victor Rico, avaliou que a tecnologia social dessa iniciativa é sofisticada e pode servir para muitas outras redes de ensino no futuro. “Promover a valorização do protagonismo feminino junto a estudantes é uma forma de trabalhar, desde cedo, a igualdade de direitos e o convívio sadio entre meninos e meninas”, enfatizou.

Testemunha do documento, o secretário de Educação, Júlio Gregório, também destacou o valor do projeto. “Pequenas coisas que professores como a Gina fazem propiciam aos alunos discutir a questão de gênero e dar a todos a possibilidade de trabalhar e de sermos iguais.”

O edital para seleção dos participantes deve ser lançado ainda no primeiro semestre de 2017. Serão escolhidos dois professores por escola, após avaliação curricular. A banca avaliadora será composta por integrantes das instituições que assinaram o tratado e do Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação, da Secretaria de Educação.

Como surgiu o Mulheres Inspiradoras

Professora da rede pública de ensino há mais de 26 anos, Gina se sentiu desmotivada ao perceber a dificuldade de interação entre docentes e alunos. Pensando em desistir da profissão, percebeu que o modelo educacional aplicado a jovens deveria ser atualizado para despertar o interesse do público.

“Estamos lidando com a geração de nativos digitais – pessoas que já nasceram no mundo tecnológico. Então é preciso utilizar a tecnologia para dialogar, pois conflitos iniciados na internet podem atrapalhar o desenvolvimento educacional”, relata. Segundo ela, um exemplo recorrente é o desrespeito e a sexualização da mulher.

Decidida a mudar esse cenário, em 2014 a professora optou por trabalhar na parte de diversidade de projetos do Centro de Ensino Fundamental 12 de Ceilândia. Foi apoiada por Vitória Régia, coordenadora pedagógica da instituição. “Recebi o incentivo que precisava para desenvolver temas que mudariam a forma de pensar daqueles jovens e melhoraria a qualidade do ensino”.

Gina conseguiu estreitar o diálogo com os alunos e alinhá-lo a práticas pedagógicas com a criação de uma rede social. Depois, passou a incentivar a leitura de obras escritas por mulheres que foram líderes, tinham histórias de superação ou efetuaram grandes feitos, como Anne Frank, Cora Coralina e Malala Yousafzai. Nascia o Mulheres Inspiradoras.

Após ampliar os conhecimentos dos alunos, a mestra os incumbiu de entrevistar e produzir matéria com uma mulher de seu vínculo social que julgassem uma inspiração. “A maioria dos alunos escolheu as mães, avós e bisavós como personagem. Eles descobriram histórias e começaram a valorizar o papel da mulher. Pois ouviram relatos de dificuldades, abusos, violência e discriminação”.

Os 95 textos, escritos em 2014 e 2015, resultaram na criação de um livro, com título homônimo. A obra foi organizada pelas duas professoras e lançada em 2016, no Dia da Mulher (8 de março). O modelo também serviu de inspiração para outras instituições. Palestras foram feitas em escolas públicas, ministérios, defensorias e universidades.

No evento, o livro foi entregue às autoridades presentes por seis alunos do Centro de Ensino Médio 9, de Ceilândia.

O projeto recebeu várias premiações, entre as quais o 4º Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos da Presidência da República (2014); o 8º Prêmio Professoras do Brasil, do Ministério da Educação (2014); e o Primeiro Prêmio Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos da OEI (2015). As honrarias renderam mais de R$ 100 mil, investidos na escola de origem.

Adaptado: Agência Brasília