10 anos de Ideb: reportagem vencedora do Prêmio Inep de Jornalismo mostra como o indicador incentiva escolas
José Pedro Soares Martins (C) na cerimônia de entrega do prêmio, em Brasília (foto: Sandro Damasceno)

10 anos de Ideb: reportagem vencedora do Prêmio Inep de Jornalismo mostra como o indicador incentiva escolas

OEI. 12/03/2018
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O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) completou dez anos de existência em 2017. Para mostrar o saldo dessa primeira década do indicador, o jornalista José Pedro Soares Martins visitou escolas públicas de Campinas (São Paulo), João Pessoa (Paraíba) e Contagem (Minas Gerais), fez uma série de entrevistas e pesquisas. E acabou confirmando o que vinha notando nos últimos anos: muitas escolas públicas, com o apoio de suas comunidades e da iniciativa social privada, têm se esforçado para melhorar a qualidade do ensino ministrado e, consequentemente, seu desempenho no Ideb. 

“O Ideb é um alerta para as escolas, o governo federal está dizendo que elas precisam melhorar no fluxo ou na qualidade do aprendizado”, afirma Ismael Bravo, consultor em políticas de educação, na reportagem "Rumo a 2022: como gestão, engajamento e inovação estão melhorando o Ideb em três estados”, publicada pela Agência Social de Notícias em 13 de novembro de 2017. 

A matéria de José Pedro Soares Martins levou o terceiro lugar na categoria “Avaliações da Educação Básica” do Prêmio Inep de Jornalismo, entregue em 20 de dezembro de 2017. A premiação é uma parceria do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com a Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).


O repórter

José Pedro Soares Martins é jornalista há 37 anos. Já trabalhou em vários veículos de comunicação, em cidades como São Paulo, Brasília, Piracicaba e, nos últimos anos, Campinas. Como escritor, tem livros escritos nas áreas de meio ambiente, história, cidadania, educação e cultura. Em 2014, com um grupo de jornalistas, participou da fundação da Agência Social de Notícias. Também atua como consultor de comunicação no setor educacional e da iniciativa social privada há vários anos.

Em entrevista ao site da OEI, ele conta um pouco dos bastidores da reportagem premiada e de sua trajetória profissional. “Antes de tudo, sou filho e sobrinho de professoras”, ressalta. “Sei há muito tempo como essas profissionais lutam para, no fundo, tornar o Brasil mais justo e feliz.”   


Escola Municipal Professor Hilton Rocha, em Contagem (Foto: José Pedro S.Martins)


Entrevista// José Pedro Soares Martins 

1. Sua reportagem parte do próprio Ideb, de como o indicador tem sido um impulso para a melhoria do desempenho educacional no Brasil. De quem foi a ideia da pauta? Houve algum dado que tivesse chamado a atenção para isso?

A ideia nasceu de minha vivência profissional. Tive a oportunidade de conhecer escolas em vários estados brasileiros nos últimos anos e de acompanhar o seu esforço para melhorar a qualidade do ensino ministrado e, consequentemente, do próprio Ideb. Identifiquei algumas dessas escolas para escrever a reportagem, procurando atualizar os dados mais recentes. Para isso, fiz novas visitas, entrevistas e pesquisas, confirmando que muitas escolas públicas, com apoio de suas comunidades e da iniciativa social privada, têm implementado diversas ações incidindo na melhoria do Ideb. Esta não é infelizmente uma pauta comum no conjunto dos meios de comunicação.    

2. Quanto tempo você levou fazendo a reportagem?

Há vários anos acompanho, portanto, o trabalho dessas escolas, mas para a reportagem em si foram necessários cerca de três meses para todo o processo, incluindo entrevistas, visita de campo, novas pesquisas, redação e edição. Esse processo foi fundamental, considerando o rodízio de profissionais que é natural em uma escola pública e o próprio dinamismo de uma comunidade escolar. É essencial buscar os novos protagonistas e atores dessa comunidade. 

3. Foi como imaginava que seria? Algo que tenha surpreendido, ou chamado a atenção, durante a apuração?

Sabia sim de algumas iniciativas que essas escolas vinham fazendo, pela qualificação do processo de ensino e aprendizagem, mas no processo de apuração pude conhecer novas ações, como a intensificação do uso de novas tecnologias e as novas estratégias usadas para aprimorar a comunicação com suas respectivas comunidades. Existe uma enorme criatividade nas escolas públicas brasileiras para superar seus desafios. A reportagem também procurou refletir um pouco essa característica, que faz parte do profundo compromisso das escolas públicas e dos educadores com sua missão..

4. Considera importante a existência de premiações como esta, para incentivar trabalhos jornalísticos sobre educação, em especial aqueles que abordam os temas das avaliações e estatísticas educacionais? 

Essas premiações na área educacional são absolutamente essenciais para o desenvolvimento sustentável do país. Não há assunto mais nobre do que a educação em um país como o Brasil e boa parte dos meios de comunicação ainda não dedica tempo e espaço adequados para a temática. O setor de educação é muito complexo, depende de inúmeros fatores e cenários, não dá para ter uma cobertura superficial. Os meios de comunicação devem ser considerados como espaços estratégicos para um debate cada vez mais qualificado sobre as múltiplas demandas que ainda cercam a educação no Brasil. Felizmente têm surgido iniciativas como a Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação), que procura contribuir para qualificar ainda mais a cobertura sobre educação na imprensa brasileira.

 

Leia a reportagem premiada: "Rumo a 2022: como gestão, engajamento e inovação estão melhorando o Ideb em três estados


** Esta é a sexta de uma série de entrevistas feitas com os repórteres vencedores do Prêmio Inep de Jornalismo. Na próxima semana, teremos Ana Paula Lisboa e a reportagem “O desempenho do ensino jurídico no DF”, do Correio Braziliense, primeiro lugar na categoria “Avaliações da Educação Superior”.


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