Brasil participa de congresso no México sobre línguas indígenas

Brasil participa de congresso no México sobre línguas indígenas

OEI. 14/06/2018
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Três brasileiros estão entre os 78 pesquisadores de onze países da Ibero-América, além da Inglaterra, que participam a partir de hoje, 14, do Primeiro Congresso Internacional de Promoção da Leitura em Línguas Indígenas 2018. O encontro ocorre até o dia 16, no México, e vai refletir sobre a situação atual da escrita e oralidade das línguas indígenas. A expectativa é que os especialistas proponham políticas públicas de formação linguística na área. O evento é organizado por instituições governamentais, intergovernamentais e da sociedade civil do México e da América Latina, entre as quais a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI).

“Como fonte de historicidade linguística e cultural o Brasil tem muito o que apresentar e resgatar para não se perder”, ressalta a professora da Universidade de Brasília (UnB), Ana Suelly Arruda Câmara Cabral. Integrante do Laboratório de Línguas Indígenas do Instituto de Letras da UnB, Ana Suelly foi pelo Ministério da Educação para participar do Congresso. A professora da UnB apresentará, amanhã, uma pesquisa onde trata da importância de formação de pesquisadores indígenas em linguística. “Eles pertencem ao local de fala. Estão imerso na cultura e rituais de seus povos”, justifica.

Para Ana Suelly, a tradução cultural da escrita e oralidade feita por indígenas é difundida também para as próprias comunidades, diferente daquela realizada por pesquisadores não indígenas. “Muitas vezes marcada pela teoria e escrita em outras línguas que torna inacessível às comunidades indígenas o conhecimento formulado”, explica. Segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge) o Brasil concentra 274 línguas indígenas faladas.

Da Universidade Federal de Santa Catariana (UFSC) participa o pesquisador Gilvan Müller de Oliveira que vai falar sobre o multilinguismo como estratégia. Gilvan estuda como as políticas para idiomas de imigração podem ajudar as línguas indígenas. O outro brasileiro, Luiz Amaral está na programação do Congresso representando a Universidade de Massachusetts Amherst, dos Estados Unidos.

Toda a programação do encontro está integrada ao Programa para a Promoção da Leitura e Escrita em Línguas Nativas Indígenas, um dos eixos estratégicos do Programa de Promoção do Livro e Leitura 2016-2018 do Ministério da Cultura mexicano. Estão previstas conferências, mesas de reflexão e ações de formação.

Além dos estudiosos, o evento reúne representantes de instituições públicas, governamentais, acadêmicas e educativas de países como a Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, Guatemala, Inglaterra, México, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal e Venezuela. O objetivo é compartilhar práticas e programas dos seus países, bem como experiências sobre a formação de leitores em contextos multilingues e monolíngues.

Está prevista ainda a apresentação de plataformas, dispositivos e recursos que dispõem de modelos e técnicas de promoção da leitura nas comunidades e ferramentas para fazer o reconhecimento de boas práticas para a promoção de leitura em línguas indígenas.

Veja o programa aqui.