Cinco ministros da Educação ibero-americanos conversam sobre as experiências e aprendizagens durante a pandemia

Cinco ministros da Educação ibero-americanos conversam sobre as experiências e aprendizagens durante a pandemia

OEI. 15/10/2020
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Sob o título “Políticas educativas para a escola que está por vir: decidir na incerteza”, ocorreu um encontro com ministros de países ibero-americanos: Maria Victoria Angulo (Colômbia), Carlos Martín Benavides Abanto (Peru), Pablo da Silveira (Uruguai), Tiago Brandão Rodrigues (Portugal) e Ricardo Cardona Alvarenga (vice-ministro da Educação de El Salvador).

O webinário faz parte do ciclo de debates do projeto La escuela que viene. Reflexión para la acción, organizado pela Fundación Santillana, em colaboração com a Organização dos Estados Ibero-americanos.

Os ministros e a ministra abordaram assuntos relacionados com as medidas que se implementaram nos seus países no âmbito educativo, devido à crise da COVID-19, e com as aprendizagens e as experiências de cada uma das suas administrações, para que os cerca de 1.500 participantes do webinário pudessem conhecer o que se fez e os resultados obtidos.

Portugal e o Uruguai, por exemplo, decidiram regressar às aulas, não sendo, neste último país, obrigatória a presença do aluno, com horários e grupos reduzidos, e com a continuidade de apoios online. Ao contrário da Colômbia, Peru e El Salvador, cuja frequência nos centros educativos não será retomada até ao início de 2021.

O encontro iniciou-se com as palavras do Secretário-Geral da OEI, Mariano Jabonero. “Esta atividade e a nossa participação nela faz parte do que creio que devemos fazer na educação: oferecer soluções e experiências. A nossa abordagem através destes encontros não é regressar à inércia do passado, mas sim pensar num futuro transformador da educação. O antes não foi eficaz, por isso temos de fazer com que o futuro seja melhor.”

Dirigido pelo diretor da Fundação Santillana, Miguel Barrero, o encontro girou em torno dos pontos: o impacto da crise educativa em cada um dos países dos participantes em diálogo e as aprendizagens obtidas. “A pandemia serviu para acelerar a reflexão sobre alguns temas que já eram importantes como o currículo e a aprendizagem e as formas de valorizá-lo”, comentou.


Colômbia: reduzir o abandono escolar

A ministra da Colômbia contextualizou a situação em que o seu país vive: “Já temos publicado protocolos para as aulas regressarem e agora queremos criar confiança entre o corpo docente e a direção, mas o regresso será gradual e progressivo, especialmente nas zonas rurais. O desafio que temos daqui para a frente é materializar ações para reduzir o abandono escolar e prestar um grande apoio socioemocional aos alunos e às suas famílias.”


Peru: aprende com o quotidiano

O Peru também não retomou as aulas presenciais. Desde que começou a pandemia, o país demorou aproximadamente três semanas a colocar em marcha uma estratégia educativa que incorporou a televisão e a rádio como formas de chegar aos estudantes. “As nossas prioridades desde o início foram não sobrecarregar os alunos com muita atividade educativa e trabalhar as competências socioemocionais. Apresentamos a oportunidade de os estudantes aprenderem com o quotidiano. Também queríamos chegar àquela população que não conseguia conectar-se. Agora, nesta segunda fase, estamos a preparar-nos para voltar às aulas presenciais.”


El Salvador: formação do corpo docente

El Salvador fundamentou a sua estratégia em garantir que os professores poderiam contatar com os seus alunos, “mesmo indo às suas casas”, disse o vice-ministro da Educação. “Focamo-nos de forma multimodal: digitalização de conteúdos (algo que, em qualquer caso, já tínhamos vindo a trabalhar antes) e recorrer à televisão e ao rádio. Temos continuado com a formação do nosso corpo docente, capacitando mais de 50 mil professores para o uso de algumas plataformas”, afirmou.


Portugal: consolidar aprendizagens prévias

O ministro da Educação de Portugal, um dos países com um sistema de educação reconhecido internacionalmente, explicou que, as aulas já regressaram no seu país. “As primeiras cinco semanas foram dedicadas a consolidar aprendizagens prévias e foram colocados à disposição das escolas mais 3.300 professores e mil técnicos”. O ministro aposta numa maior flexibilidade curricular, garantindo a aprendizagem essencial em termos de quantidade de conhecimentos e desenvolvimento de competências básicas. Portugal dedicou também a sua atenção aos alunos com necessidades especiais e em situação de risco.


Uruguai: uso intensivo de tecnologia

No Uruguai, a pandemia surgiu duas semanas depois da chegada de um novo governo, que teve grande capacidade de reação. “Desde o início apostamos num uso intensivo da tecnologia. Em 22 de abril, voltamos às aulas de maneira gradual e mudamos rapidamente para um modelo misto, com ensino presencial e ensino a distância. A tecnologia, por si só, não terá sido a solução, porque demos conta de que quem usufruía mais dela eram os setores mais fortes do ponto de vista cultural, econômico e social. Agora, já pensamos em voltar às aulas presenciais, só que esta é uma estratégia que vai ocorrer por fase”.


Modelo misto de educação e “a história interminável”

Os ministros concordaram de forma unânime que o modelo misto chegou para ficar e que a necessidade de inovar nesta crise se tornou evidente.

Valorizaram a participação da família na educação dos filhos de uma maneira mais intensa nestes momentos de crise e concordaram que as experiências de alguns países ajudam muito a implementar medidas noutros, pelo que este encontro foi fundamental para que eles melhorassem as suas políticas educativas.

A capacidade de os estudantes trabalharem de forma autônoma foi outra das grandes aprendizagens destacadas pelos ministros, assim como a incorporação do quotidiano na aprendizagem. O ministro português destacou que, a partir de agora, deve haver uma reorganização do currículo. “Os professores devem estar preparados para as mudanças. Agora, temos que ser práticos e pragmáticos”. E enfatizou: “A questão do currículo para a frente e para trás é como o filme A História Interminável: nunca acaba”.