COVID-19: relatório da OEI analisa como as escolas poderão ser afetadas pela crise provocada pelo coronavírus

COVID-19: relatório da OEI analisa como as escolas poderão ser afetadas pela crise provocada pelo coronavírus

OEI. 31/03/2020
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A Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) analisa os efeitos no aprendizado com o fechamento de escolas devido à pandemia de coronavírus. Na prática, o documento avalia como a crise afetará o abandono escolar e quais medidas são necessárias para reduzir seu impacto educacional e social.

O abandono ocorre quando o aluno deixa de frequentar a escola durante o andamento de determinado ano letivo. O alerta publicado pela OEI sobre a possibilidade de crescimento da taxa de abandono escolar em consequência do fechamento da escola, ampara-se em estudo publicado em 2017 pela Revista Econômica de autoria dos Professores Goux, Gurgand e Maurin, da Paris Economics.

De acordo com dados do Censo Escolar sobre rendimento escolar divulgados no ano passado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), tanto no ensino fundamental, quanto no ensino médio, o abandono manteve-se em queda ou estável. As taxas de rendimento são informadas pelas escolas no Censo Escolar. As taxas revelam a situação dos alunos ao final do ano letivo, se foram aprovados ou reprovados ou se deixaram de frequentar a escola ao longo do ano letivo.


Fonte: MEC/Inep/Deed



O levantamento vai além e mostra como, de fato, existe, no caso da França, uma relação direta entre maus resultados e abandono escolar. Este estudo comparado a outros no Brasil, Peru, Guatemala e Argentina, mostra que uma intervenção e apoio educacional para estudantes mais afetados podem reduzir o abandono entre 25% e 40%. A próxima pergunta é o que tipo de intervenção pode fazer sentido.

Entre os possíveis efeitos negativos do coronavírus na educação, vale ressaltar que o impacto do fechamento de escolas na Espanha pode ser de até 3% do desvio padrão. Ou seja, um aluno que retornar às aulas em 1º de junho perderia o equivalente a 11% do que é aprendido em um ano letivo, conforme relatado pela jornalista Olga Sanmartín no jornal El Mundo.

Os efeitos negativos de ter atingido um nível mais baixo de educação também podem se refletir em longo prazo. O relatório estima que o fechamento de centros educacionais na Espanha pode refletir na redução do salário dos estudantes espanhóis em até 1% quando atingirem 30 a 40 anos. Para mitigar esse efeito, os especialistas apontam que seria necessário que os alunos tivessem maior acesso ao aprendizado ao longo dos anos.

Ismael Sanz, doutor em Economia Aplicada; Jorge Sainz, professor de Economia Aplicada e Ana Capilla, coordenadora de Ensino Superior, Ciência e ETP da OEI são os autores do relatório. Os três concordam que priorizar o conteúdo pode ser a chave para ter um impacto mais suave sobre os efeitos descritos.

Outro aspecto negativo a considerar é o crescimento das taxas de abandono escolar, que podem ser particularmente aumentadas. É o que o professor Ismael Sanz aponta: “as evidências mostram que o fechamento das escolas pode afetar o aprendizado dos alunos, especialmente os que apresentam distorção na relação idade e série”. Além disso, agravam essa situação fatores como a situação econômica e de trabalho nas residências, bem como acesso à internet ou mesmo o nível de estresse dos pais, atores fundamentais no acompanhamento da educação em casa.

Por esse motivo, dentre as propostas incluídas no relatório, destaca-se a referência à ampliação do Programa de Reforço, Orientação e Apoio (PROA), um plano de apoio aos alunos que apresentam distorção na relação idade e série, os mais afetados pelo fechamento dos centros, e que envolve garantia de que a aquisição de conhecimento pelos alunos não será afetada durante a crise do COVID-19.

Nesse sentido, Sanz afirma que: “existem muitas medidas que os governos podem adotar para amenizar esses efeitos, como contratar novos professores para dar atenção mais personalizada aos alunos de acordo com suas necessidades”. De fato, o documento também reconhece que a educação a distância pode ser uma grande oportunidade, mesmo para estudantes com mais dificuldades de aprendizado. Isso se os docentes souberem aproveitar as tecnologias da informação (TIC) para personalizar a formação dos alunos com ações como reforço de assuntos.

Para que isso aconteça, é essencial que os professores tenham formação adequada no uso pedagógico das TICs, experiência nas metodologias desse tipo de ensino e conteúdo adequado. Nesse caso, a aquisição de conhecimento pelos alunos pode ser semelhante a do ensino em sala de aula.

O informe Efeitos do coronavírus na educação faz parte da campanha #LaOEIcontigo lançada pela OEI. O objetivo é amenizar os efeitos que a crise do coronavírus terá na educação, ciência e cultura da região. Entre as iniciativas propostas pela Organização estão recursos educacionais e culturais gratuitos para professores e famílias monitorarem e analisarem o impacto do coronavírus na educação, ciência e cultura na região, entre outros.


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