Ensino superior: reportagem vencedora do Prêmio Inep de Jornalismo analisa o desempenho de cursos de direito no DF
Ana Paula Lisboa (com o troféu) foi a ganhadora da categoria Avaliações da Educação Superior

Ensino superior: reportagem vencedora do Prêmio Inep de Jornalismo analisa o desempenho de cursos de direito no DF

OEI. 19/03/2018
Tamanho do texto+-

Dos 30 cursos de direito oferecidos no Distrito Federal, apenas dois conseguiram índice de aprovação acima de 50% no último Exame de Ordem: as graduações da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). As duas entidades tiveram, respectivamente, índices de 65,29% e 60,53% na 22ª edição do teste da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que é requisito para exercer a advocacia. Também foram as únicas a conseguir nota 5, a maior, no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade).

O que faz um bom curso de direito? A reportagem “O desempenho do ensino jurídico no DF”, de Ana Paula Lisboa, publicada pelo jornal Correio Braziliense em 13 de agosto de 2017, mostra que a pontuação no Exame de Ordem faz diferença, sim, mas não é suficiente para atestar a qualidade de um bacharelado na área. Bons professores com base teórica e prática, infraestrutura adequada e alunos preparados e interessados também contam muitos pontos no desempenho de uma faculdade.

Pensando em montar uma espécie de guia para nortear a escolha daqueles que queiram iniciar graduação na área, a jornalista Ana Paula Lisboa consultou a OAB e o Ministério da Educação, entrevistou representantes de instituições, conversou com professores e alunos. O especial, publicado no caderno Trabalho & Formação Profissional, lhe rendeu o primeiro lugar da categoria “Avaliações da Educação Superior” do Prêmio Inep de Jornalismo. A premiação é uma parceria do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com a Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

A repórter

Ana Paula Lisboa formou-se em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), em 2013. Educação já era uma área que a interessava ainda durante a graduação. “Eu me encantei ainda mais pelo tema quando comecei a estagiar no Correio Braziliense”, conta a repórter, que além de escrever para o caderno Trabalho & Formação Profissional e o site Eu, Estudante, fazia matérias para o suplemento infantil Super! (que parou de ser publicado em 2017).

Entre as funções de estagiária (2012), repórter (2013-2014) e subeditora (desde junho de 2014), ela já leva cinco anos no Correio Braziliense. Com matérias de educação, ganhou, além do Prêmio Inep de Jornalismo, os prêmios Esso/ExxonMobil (em parceria com a equipe de Economia do Correio) e foi finalista dos prêmios Estácio, Abmes e CNH Industrial de Jornalismo. Já com reportagens sobre mercado de trabalho e carreira, venceu duas edições do Prêmio MPT de Jornalismo, do Ministério Público do Trabalho. Por causa de reportagens sobre infância, foi diplomada pela Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) como Jornalista Amiga da Criança. 

Nesta entrevista ao site da OEI, que encerra a série dedicada aos vencedores da primeira edição do Prêmio Inep de Jornalismo, Ana Paula conta um pouco dos bastidores da reportagem premiada e de como foi bom encontrar tantos professores, diretores e alunos apaixonados pela profissão. 


Leonardo Weber é professor de direito privado no Centro Universitário Iesb (foto: Marcelo Ferreira/CBPress)


Entrevista// Ana Paula Lisboa  

1. De quem foi a ideia da pauta? Surgiu da surpresa com os dados do Exame da OAB, que mostravam que apenas dois dos 30 cursos de direito de Brasília tiveram índice de aprovação acima de 50%?

Os resultados do Exame de Ordem, do Enade e de avaliações do MEC são assuntos recorrentes na minha editoria, que cuida do caderno Trabalho & Formação Profissional e do site Eu, Estudante. O fato de poucos cursos de direito conseguirem que pelo menos metade de seus alunos passem na prova da OAB chamou minha atenção, claro, mas a ideia de investigar o modelo, a estrutura e o funcionamento de diferentes faculdades em Brasília veio da minha editora, Ana Sá. 

A partir disso, pensamos em criar uma espécie de guia para nortear a escolha de pessoas que queiram iniciar graduação na área e mostrar aos que já fazem um bacharelado em direito como a faculdade em que estudam se saiu nos testes. Por isso, decidimos trazer o ranking completo mostrando a performance de cada faculdade e curso na OAB, no Enade e nos conceitos do MEC. 

Para fazer essa pesquisa, consultamos a OAB e o próprio MEC e, enfim, montamos a tabela que acompanha a reportagem. Além de entrevistar representantes de algumas instituições, pedimos esclarecimentos a todas as faculdades em funcionamento e publicamos notas oficiais das que nos responderam — essa parte não coube na matéria impressa, mas publicamos on-line.


2. Quanto tempo você levou fazendo a reportagem, levando em conta pesquisa/apuração, redação, edição?

Foram cinco dias. Comecei a apuração numa segunda-feira, marcando entrevistas. Na terça e na quarta, visitei várias faculdades para conversar com alunos e professores. Na quinta, comecei a escrever o texto, finalizando na sexta, dia do fechamento, quando foi direto para a diagramação. Como sou fechadora, minhas matérias não passam por edição. Além disso, sou responsável por editar todas as matérias publicadas no caderno, muitas delas, escritas por estagiários, que requerem orientação, então tive de conciliar a apuração e a redação com várias outras atividades, tanto para o caderno impresso quanto para o site. A parceria com a equipe de fotografia foi fundamental, já que fotojornalistas me acompanharam nas entrevistas.


3. Foi como imaginava que seria? Algo que tenha surpreendido durante a realização da reportagem?

O processo de apuração foi muito trabalhoso, foi preciso entrar em contato com cada faculdade do DF e decidimos detalhar e fazer entrevistas com representantes das que tiveram melhor desempenho nos rankings que levamos em consideração. Foi muito trabalho duro mesmo, envolvendo várias horas extras (risos) — eu não esperava que fosse precisar de tanto tempo assim. 

Gostei muito de fazer a matéria e receber o prêmio Inep por ela foi uma recompensa inesperada por algo que exigiu tanto de mim (e também dos estagiários Thays Martins e Naum Gilo, que me ajudaram no processo de entrar em contato com as instituições de ensino). 

Na apuração, achei surpreendente o fato de encontrar tantas pessoas, professores, diretores e alunos, interessados e verdadeiramente apaixonados pelo direito e pelo ensino do direito (área que sempre me foi familiar, já que sou filha de um e sobrinha de dois advogados). Acredito que o amor dos profissionais pela área também contribui para o bom resultado dessas instituições.


4. Considera importante a existência de premiações como esta, para incentivar trabalhos jornalísticos sobre educação, em especial aqueles que abordem os temas das avaliações e estatísticas educacionais?

Acredito que é muito importante, sim. No entanto, as empresas de comunicação devem dar atenção a estatísticas educacionais independentemente de prêmios, tendo como objetivo prioritário levar informação de qualidade aos leitores. Sei, porém, que a rotina e a estrutura de muitas redações tornam bastante difícil que jornalistas se debrucem sobre dados, porque isso demanda bastante tempo. Então, o Prêmio Inep pode ser uma maneira bastante válida de despertar o olhar de mais jornalistas e diretorias de empresas de mídia para estatísticas educacionais.





Leia a reportagem premiada

Só dois cursos de direito do DF aprovam mais de 50% na OAB

Aqui o pdf da versão impressa

O desempenho do ensino jurídico no DF


Leia também: