OEI e ProFuturo apresentam o primeiro estudo comparativo sobre a inclusão das TIC nas salas de aula da América Latina

OEI e ProFuturo apresentam o primeiro estudo comparativo sobre a inclusão das TIC nas salas de aula da América Latina

OEI. 21/03/2018
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A sede da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) recebeu nesta terça-feira (20/03) a apresentação do “Estudo sobre a inclusão das TIC (tecnologias de informação e comunicação) nos centros educativos de Aulas Fundación Telefónica”, desenvolvido pela OEI e pelo ProFuturo, projeto promovido pela Fundación Telefónica e pela Fundación Bancaria "La Caixa". A análise foi realizada em 144 centros educativos de sete países da América Latina (Equador, El Salvador, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá e Uruguai) e dela participaram mais de 450 diretores e quase 2.300 professores.

De acordo com o estudo, 77% dos docentes dos centros analisados usam os computadores em classe ao menos uma vez ao mês para que seus estudantes realizem consultas na internet (76%) ou para a apresentação de trabalhos escolares (66%). O informe mostra também que não basta entregar computadores para as escolas ou assegurar sua conexão à internet de banda larga. 

A qualidade educativa na América Latina não está na presença ou ausência da tecnologia, e sim em como e para que ela se aplica na sala de aula, como explicou durante a apresentação Paulo Speller, secretário-geral da OEI. “Estamos aqui para construir o futuro com base nas demandas do presente. Em nosso organismo, é o que viemos fazendo há 70 anos trabalhando pela educação na Ibero-América”.

Como evidencia o estudo, alguns dos principais desafios de inovação educativa na América Latina hoje passam por políticas públicas que garantam a alfabetização digital do professorado ou a integração das TIC no currículo acadêmico. 

“O projeto de Aulas Fundación Telefónica nasceu em 2009 com o objetivo de formar os professores em tecnologias para que, por sua vez, fizessem uso delas nas salas de aula. Esse é o objetivo que hoje tem o ProFuturo, para o que o projeto se transferiu”, destacou Sofía Fernández de Mesa, diretora geral do ProFuturo. “Se não somos capazes de formar nossos professores e alunos nestas novas competências que a nova sociedade tecnológica nos exige, não vamos poder ser produtores desta economia digital, e sim apenas consumidores”.

Nos últimos 10 anos, a América Latina avançou a passos largos na inclusão das TIC nas salas de aula. “O estudo nos demonstrou que a mudança educativa é  possível. Há centros de ensino que estão fazendo um trabalho excelente no uso da tecnologia em contextos vulneráveis”, declarou a coordenadora do Instituto de Avaliação (IESME) da OEI, Tamara Díaz. 

Como contou a salvadorenha María Jacinta Ramos de Chica, docente do centro educativo Presbítero Norberto Cruz, um dos cinco professores latino-americanos que foram a Madri para contar sua experiência: “Claro que a princípio tinha medo das tecnologias, mas somos docentes de desafios. E graças a isso, hoje já vemos mudanças com os estudantes em nossa instituição, como classes de vídeo chamadas para trabalhar com várias turmas ao mesmo tempo”. 

Já Ingrid Fabiola Roesch, professora da escola Cantón Xepache, Quetzaltenango, em Guatemala, assegurou: “Graças às TIC, os professores do meu país estão se preparando melhor porque os alunos e os pais nos exigem isso”.

A esta apresentação se uniram as reflexões dos especialistas em inovação educativa Juan Freire (“A tecnologia não faz mágica, mas as pessoas usando a tecnologia, sim. Aprender tecnologia é aprender comunicação”), Claudia Limón (“A tecnologia tem muitas potencialidades, mas não pode corrigir uma prática pedagógica ruim. Tem que se incorporar de forma transversal”) e Axel Rivas (“A internet tem que ser um direito humano sobre o qual se pode construir outros direitos”).