Redes culturais de Brasília discutem na OEI a Carta Cultural Ibero-Americana

Redes culturais de Brasília discutem na OEI a Carta Cultural Ibero-Americana

OEI. 31/08/2018
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Doze representantes do meio cultural de Brasília reuniram-se nesta sexta-feira, 31, no escritório da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI). O grupo compartilhou ideias sobre redes culturais e conheceu a Carta Cultural Ibero-Americana. As atividades fazem parte do “Projetos culturais em rede no espaço Ibero-Americano”, iniciativa organizada em parceria com a OEI em Portugal que visa fomentar a prática qualificada de trabalhos em rede no setor cultural no âmbito da Ibero-América.

“Tivemos uma rica troca de experiências. Percebi que a maior parte dos participantes desconhecia a Carta. O exercício de olhar prático para o documento suscitou estratégias e possibilidades de trabalho em conjunto”, avalia o pesquisador português Manuel Gama, que coordena o Projeto no Brasil.

Para a professora de artes cênicas da Universidade de Brasília (UnB), Alice Stefânia, tomar conhecimento da Carta foi norteador. "Esclarece e alinha ainda mais a nossa busca dos fins, princípios e âmbitos de ação em rede. A gente fala encima de um documento que é público e compartilhado por diferentes nações. Isso ajuda a dar consistência aos projetos", pontua a professora da UnB, que também coordena o coletivo Teatro do Instante.

Stefânia está envolvida em um projeto cultural que conta com a colaboração de Portugal. Para ela, estar presente nas discussões promovidas pela OEI ajudou a nortear a perspectiva de trabalho conjunto e a fomentar a criação de ações em rede, além de sinalizar alternativas de busca de recursos para fomento cultural. "Brasil e Portugal, em conjunto com Angola e Moçambique, vão criar uma obra que remete o trabalho em rede. Estar aqui contribui para pensar como integrar melhor a nossa proposta", observa.

Na avaliação gerente de responsabilidade socioambiental do Instituto Caixa, Alice Scartezini, o enfoque cultural da Carta Cultural Ibero-americana, complementa as argumentações da Agenda 2030 no que diz respeito ao protagonismo dos jovens para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. “Outro aspecto é a captação do recurso. A necessidade de entender a cultura como mercado. Que as empresas financiadoras e o estado entendam as expressões culturais como fomento profissional e não só como uma mera ação”, complementa Alice, que coordena o projeto de empreendedorismo cultural Jovem de Expressão.

O “Projetos culturais em rede no espaço Ibero-Americano” já percorreu os estados da Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo. No Distrito Federal fechou o ciclo de debates deste ano. O trabalho de Manuel Gama é conhecido internacionalmente como 2CN-CLab Cultural Cooperation Networks Creative Laboratory.

Dentre as iniciativas desenvolvidos pela OEI a partir da Carta Cultural Ibero-Americana está o Estudo Comparativo de Cultura e Desenvolvimento na Ibero-América, um documento concebido com base na XIX Conferência Ibero-Americana de Cultura, realizada em maio, na Guatemala. O estudo traz um apanhado da experiência acumulada a partir da Carta e contribui para o estado das indústrias culturais e criativas da região ibero-americana.

Confira como foi o primeiro dia de encontro